Em novembro de 1899 no Rio de Janeiro, Rita de Cássia Aguiar tomou uma decisão corajosa: decidiu dedicar o resto da sua vida em servir a Deus, aos pobres e enfermos. Rita de Cássia Aguiar mudou de vez seu estilo de vida, passou a vestir um hábito pobre, adotou até um nome novo: Irmã Maria das Neves. Deixou o Rio de Janeiro e partiu para a cidadezinha praiana de Saquarema. Lá, na Casa de Caridade Nossa Senhora de Nazaré, dedicou-se gratuitamente aos pobres e enfermos.
Desejando receber a benção da Igreja para seu projeto, procurou o Bispo da Diocese. Este lhe aconselhou a ingressar na Ordem Terceira Franciscana ou Carmelita. Sua escolha foi a Carmelita. Em 2 de dezembro de 1899 a Virgem do Carmo acolheu, na Igreja da Lapa, Rio de Janeiro, aquela que estava destinada a fundar a Congregação das Irmãs Carmelitas da Divina Providência, toda dedicada a Maria e ao seu divino Filho.
Alimentada pela espiritualidade do Carmelo, Irmã Maria das Neves realizou o seu projeto de dedicação a Deus, aos pobres e aos enfermos. Irmã Clara seguiu os passos de Madre Maria das Neves, ao fazer uma doação generosa em Saquarema e depois em Campos. Outras irmãs se juntam a elas e formaram uma comunidade de Terceiras Carmelitas. Irmã Maria das Neves compreendeu então que Deus a destinava a ser fundadora de uma Congregação. O Bispo lhe deu aprovou sua ideia.
Ajudada por suas companheiras, Madre Maria das Neves, assumiu a direção do Asilo do Carmo para idosos e do Asilo da Lapa para crianças.
Ela adquiriu tuberculose, doença incurável naquela época, e faleceu no dia 08 de março de 1906, dizendo com convicção: “Não tenham medo. Do Céu vai ser mais fácil guiar e proteger a pequena família que em breve deixarei na terra.” Madre Maria da Neves gostava de dizer: “Minhas filhas, a vida é curta. Vivamos com a consciência tranqüila e teremos o céu perto de nós.”
Madre Maria das Neves dirigiu o Asilo do Carmo e o Asilo da Lapa, dividindo seu tempo entre idosos e crianças. Ajudou uns a morrer e outros a crescer. Ela guardava em silêncio seus sofrimentos e contava histórias engraçadas para alegrar os velhinhos e as crianças. Seu ser e seu agir deixaram marcas inexplicáveis nos que com ela conviveram. Foi a partir daí que a Congregação se definiu e se firmou.
Ela, Madre Maria das Neves, foi a responsável, por em tão pouco tempo, lançar as bases de uma Congregação hoje centenária.